sábado, 16 de dezembro de 2017

Chove. Chove. Há Silêncio ...

Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego…

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Nada apetece…


Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente…

Fernando Pessoa

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Notícias Soltas (act.)





Prémio Pessoa 2017 Já Foi Atribuído

 Ao arquitecto português Manuel Aires Mateus.

O arquiteto português de 53 anos é o escolhido, este ano, pelo júri do Prémio Pessoa. Professor universitário em Portugal e no estrangeiro, acumula uma vasta obra de Arquitetura. O projeto de um novo polo cultural em Lausanne, na Suiça, deu ao ateliê Aires Mateus uma consagração internacional. O ‘edifício flutuante’ inaugurado este ano, em Tours, é outro exemplo do reconhecimento do seu trabalho.

É a terceira vez que o júri Prémio Pessoa distingue um nome da arquitetura portuguesa. Depois de Souto Moura e de Carrilho da Graça, as atenções deste ano voltaram-se de novo para esta área, atribuindo a Manuel Aires Mateus um lugar na vasta lista de distinguidos.
Obras como a renovação da sede da Ordem dos Engenheiros, que data do início da sua carreira, ou a nova sede da EDP, ambas em Lisboa, são algumas das marcas do arquiteto que sempre trabalhou em conjunto com o seu irmão Francisco, um ano mais velho e igualmente arquiteto. O reconhecimento internacional chegou cedo e, recentemente, com a inauguração, em março deste ano, do Centro de Criação Contemporanea Olivier Debré, em Tours, o trabalho do arquiteto foi particularmente destacado pela imprensa internacional.
O maior projeto do ateliê de Manuel Aires Mateus foi ganho em 2015 e encontra-se em fase de concretização. Trata-se da construção de um novo polo cultural em Lausanne, a partir das antigas instalações de uma gare ferroviária. O ateliê português venceu o concurso orçado em mais de 85 milhões de euros, ‘derrotando’ três prémios Pritzker (o chamado Óscar da Arquitetura mundial) que também se candidataram.

A Única Crítica É A Gargalhada

A única crítica é a gargalhada! Nós bem o sabemos: a gargalhada nem é um raciocínio, nem um sentimento; não cria nada, destrói tudo, não responde por coisa alguma. E no entanto é o único comentário do mundo político em Portugal. Um Governo decreta? gargalhada. Reprime? gargalhada. Cai? gargalhada. E sempre esta política, liberal ou opressiva, terá em redor dela, sobre ela, envolvendo-a como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, e cruel – a gargalhada! Política querida, sê o que quiseres, toma todas as atitudes, pensa, ensina, discute, oprime – nós riremos. A tua atmosfera é de chalaça

Eça de Queirós

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Notícias Soltas

*Marcelo admite ter recebido carta, mas não tinha “nada de específico”

*Raríssimas. António Costa mantém “total confiança” em Vieira da Silva

“Este Ano Foi Um Ano Particularmente Saboroso Para Portugal”

Só mesmo uma pessoa seria capaz de tal afirmação:
Foto: Manuel Araújo / Lusa, via OBSR

Eis-me


Eis-me 
Tendo-me despido de todos os meus mantos 
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses 
Para ficar sozinha ante o silêncio 
Ante o silêncio e o esplendor da tua face 

Mas tu és de todos os ausentes o ausente 
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca 
O meu coração desce as escadas do tempo 
                        [em que não moras 
E o teu encontro 
São planícies e planícies de silêncio 

Escura é a noite 
Escura e transparente 
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco 
E eu não habito os jardins do teu silêncio 
Porque tu és de todos os ausentes o ausente 

Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Notícias Soltas

*Carlos César em ‘guerra’ com Catarina Martins: “Não aceitamos superioridade moral de nenhum partido”

*Não sabiam, mas tinham o nome nos órgãos sociais da Raríssimas

*Centenas de milhares de cidadãos da UE podem perder direito a ficar no Reino Unido

*Juncker envolvido em caso de escutas ilegais e adulteração de conversas

*Ao anoitecer olhe para cima. Hoje há chuva de estrelas

*Elétrico 24 deverá ligar Cais do Sodré e Campolide no próximo ano


Esta É A Frase

A história da Raríssimas não pode acabar-se nos maus exemplos, nos comportamentos indizíveis, nos crimes que foram cometidos. Quer isto dizer que a justiça tem de seguir o seu curso - as investigações têm de ser céleres e sérias, os responsáveis, quero acreditar, serão responsabilizados e com tanto mais rigor quanto era à custa dos mais fracos que tiravam dividendos. Mas as crianças e as famílias a quem a Raríssimas dava algum conforto e esperança têm de ser preservadas ao máximo. Não podemos cair na tentação de as deixar escorregar na lama, de arrasar uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) que é, ela própria, muitíssimo rara no serviço que presta à sociedade.

Joana Petiz, DN

Não, não é Cansaço ...


Não, não é cansaço... 
É uma quantidade de desilusão 
Que se me entranha na espécie de pensar, 
E um domingo às avessas 
Do sentimento, 
Um feriado passado no abismo... 

Não, cansaço não é... 
É eu estar existindo 
E também o mundo, 
Com tudo aquilo que contém, 
Como tudo aquilo que nele se desdobra 
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.

Não. Cansaço por quê? 
É uma sensação abstrata 
Da vida concreta — 
Qualquer coisa como um grito 
Por dar, 
Qualquer coisa como uma angústia 
Por sofrer, 
Ou por sofrer completamente, 
Ou por sofrer como... 
Sim, ou por sofrer como... 
Isso mesmo, como... 

Como quê?... 
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço. 

(Ai, cegos que cantam na rua, 
Que formidável realejo 
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!) 

Porque oiço, vejo. 
Confesso: é cansaço!... 

Álvaro de Campos 

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Notícias Soltas

*Líder da "Verdade Celestial" condenado a 23 anos de prisão

*Últimas do caso raríssimas

*Itália em estado de emergência após explosão em terminal de gás austríaco

*Santana e Rio sem acordo para debates

*Dois arguidos confirmados na investigação aos incêndios de Pedrógão Grande

*Os deputados que faltam mais vezes (com ou sem justificação) no Parlamento

Últimas Do Caso Raríssimas

*Paula Brito e Costa demite-se da presidência da Raríssimas


Se Marcelo Continuar A Gastar Palavras Com Tanta Intensidade, Tanto Fait Divers Como Para Factos Importantes, Estará A Desperdiçar O Poder Que Os Portugueses Lhe Deram ...

Não há nada que o Presidente não comente - do mais relevante ao maior fait divers. Há umas semanas, neste mesmo espaço, elogiei-o pela intervenção que fez em Oliveira do Hospital sobre os fogos de outubro: criou empatia com o país (e as vítimas em particular), tudo o que tinha faltado à intervenção do primeiro-ministro. Mas depois disso Marcelo passou de hiperativo a hipermega ativo, parecendo gerir toda a sua agenda numa lógica de cobertura a par e passo da agenda de António Costa (por antecipação ou reação). Marcelo, que é constitucionalista, sabe qual é o maior poder do Presidente da República em Portugal:é o poder de falar. Se continuar a gastar palavras com tanta intensidade, tanto para fait divers como para factos importantes, estará pura e simplesmente a desperdiçar o poder que os portugueses lhe deram. Não foi para isso que foi eleito nem é para isso que é pago. (continuar a ler aqui)  

Hábito ...

( Indiferença !)
A tudo se habitua o homem, a todo o estado se afaz ; e não há vida por mais estranha que o tempo e a repetição dos actos lhe não faça natural.

Almeida Garrett 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Notícias Soltas (act.)

*Dinheiro da Raríssimas paga vestidos caros, BMW e viagens










Esta É A Frase

“Paula Brito e Costa, sabe o que é raríssimo? Alguém da sua estatura social não suspender a sua atividade face a tão graves acusações, até provar cabalmente a sua inocência. Sabe o que é Raríssimo? É dar aos nossos herdeiros exemplos de cidadania quando em causa está a nossa honra. Até eu me ponho de pé, junto a si, se dignificar a obra com tamanha coragem. Espero que esteja inocente para o seu bem, e para o bem de todas as instituições que hoje vivem mais um clima de suspeição”

Jorge Gabriel, via Ji

A Pergunta Vai Para A Sra. Catarina

Catarina Martins deu uma entrevista ao ‘Expresso’ onde acusou o PS de ceder aos ‘grandes interesses económicos’. Francisco Assis não gostou: onde está a ‘honradez’ do partido perante o ataque? O caso merece uma pergunta e uma resposta. A pergunta vai para a Sra. Catarina: se o PS é ‘permeável’ a grandes lóbis, como explicar o apoio do Bloco? Que eu saiba, um cúmplice do crime continua a ser um criminoso. Ou a Sra. Catarina pensa que os seus talentos cénicos apagam a natureza da peça onde aceitou entrar? De resto, e em resposta a Assis, ele sabe que a ‘honradez’ foi perdida em 2015, quando Costa desfigurou a história do PS com uma aliança oportunista. O actor Oscar Levant terá dito sobre Doris Day: "Conheci-a ainda antes de ela se tornar virgem". A dois anos das eleições, aplica-se ao governo e aos camaradas o mesmo raciocínio. Não abusem da virgindade.

João Pereira Coutinho, CM  

Cai Chuva No Portal


Cai a chuva no portal, está caindo 
Entre nós e o mundo, essa cortina 
Não a corras, não a rasgues, está caindo 
Fina chuva no portal da nossa vida. 
Gotas caem separando-nos do mundo 
Para vivermos em paz a nossa vida. 

Cai a chuva no portal, está caindo 
Entre nós e o mundo, essa toalha 
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo 
Chuva fina no portal da nossa casa. 
Por um dia todos longe e nós dormindo 
Lado a lado, como páginas dum livro. 

Lídia Jorge